PORTAL UBAÚNA - Diocese de Tianguá loteia terras e gera polêmica

sábado, 6 de dezembro de 2008



Ambientalistas querem preservar área verde de propriedade da Diocese de Tianguá, mas que teve parte loteadaTianguá. A venda de um loteamento de terras da Diocese de Tianguá tem sido alvo de críticas por parte de moradores desta cidade. Os lotes, no total de 11, medindo 27m x 10m, são vendidos ao preço de R$ 50 mil, segundo informou frei Vicente, da Diocese, por meio do telefone cujo número está anunciado em placa na entrada do terreno. Pedro Otaviano, que atendeu a ligação telefônica inicialmente e é o atual ecônomo da Diocese, disse que já foram vendidos sete lotes, restando apenas quatro.

A venda desses terrenos começaram no ano passado, mas segundo Reginaldo Vasconcelos, chefe do Grupo de Escoteiros Dom Temóteo, a divisão do terreno, que faz parte do bosque da Diocese, aconteceu em 2006 com a permissão do Instituto do Meio Ambiente (Ibama). Reginaldo Vasconcelos disse que é muito fácil conseguir essas autorizações. “Para desmatar a área preservada aqui é só ter dinheiro, que o Ibama autoriza”, denuncia Reginaldo Vasconcelos.Ação judicialA briga entre Grupo de Escoteiros e a Diocese de Tianguá para evitar o loteamento foi parar na Justiça. O Ministério Público ingressou com uma ação e a Justiça da Comarca de Tianguá puniu a Diocese, que foi obrigada a reformar o bosque construindo dentro da área verde a Trilha Ecológica Convento, com passeios para visitação e para aulas de campo com estudantes e comunidades.Sebastião Gomes Soares, técnico Ambiental do Ibama, assegura que o órgão não tem competência para autorizar loteamento. “Isto é competência da Secretária do Meio Ambiente do Ceará (Semace). A nossa fiscalização compete ao desmatamento”, explica Gomes.

Ele adianta que o terreno foi dividido para ser construído no local a residência do bispado. “Houve um Termo de Ajuste de Conduta. Em troca a Diocese teria que construir a trilha ecológica e preservar o local. Acredito que após a construção da trilha o bosque permaneceu fechado para visitação”, informa chefe do Grupo de Escoteiros.

Pedro Otaviano não vê irregularidade na venda dos terrenos. Ele assegura que o comprador, após efetuar o pagamento das taxas, recebe toda a documentação que lhe dará direito a construir no terreno. “O dinheiro é depositado em uma conta bancária da Diocese”, assegura. Apesar de ter sido vendido mais da metade, ainda não foi iniciada nenhuma construção no local. Na época em que foram fazer o loteamento, Reginaldo Vasconcelos disse que o bispo dom Francisco Javier Hernandez Arnedo não se encontrava no País, estava em visita ao México, e que o desmatamento foi autorizado pelo então ecônomo da Diocese, José Evangelista Vasconcelos. “Cerca de 20 homens chegaram aqui com serra elétrica, por volta das 4h da madrugada, para derrubar todas as árvores. Liguei para o bispo, que pediu para suspender o trabalho”, afirma Reginaldo. “O projeto inicial era destruir 70% do bosque. Entramos na briga, fomos mal interpretados pela Igreja, mas hoje a situação é bem diferente”, destaca o chefe dos escoteiros no município.

Para o técnico cultural, Igor Pinto de Carvalho, existe “algo errado” na situação. “Uma área verde que deveria ser preservada, sendo desmatada para ser loteada. Não sei se a Igreja tem necessidade disso”, diz Carvalho. Ele vê a situação preocupante, uma agressão à natureza. “Isso me deixa preocupado tanto no aspecto cultural como ambiental. É um crime”, destaca o técnico cultural.

Quem pretende adquirir um dos lotes e conhecer o local tem que passar pelo portão que fica dentro do prédio da Diocese e que dá acesso à trilha.

AutorizaçãoO portão é trancado com cadeado. A visita só é permitida com autorização da Diocese. A pessoa interessada tem que se dirigir até à Cúria. O terreno loteado está encravado na área do bosque. Pela Rua Capitão Joaquim Lourenço, só dá para ver a placa que anuncia a venda dos lotes.“Aqui se trata de uma propriedade particular. Não é permitido a visitação sem autorização nem fotografias”, disse uma pessoa que se identificou apenas como advogado da Diocese de Tianguá.
WILSON GOMES - Colaborador
Fonte: Diário do Nordeste

1 comment

Anônimo disse...

Moro em Tianguá, desde 2004 e sempre vejo o grupo de escoteiros na Catedral, principalmente nas grandes festas: de Sant'Ana, São Francisco inclusive em 2006 ano em que se referem à proibição de participarem de missas na Catedral.
Nunca entendi de fato o que realmente querem os escoteiros.

6 de dezembro de 2008 10:12

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